segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um minuto de silêncio pelo caracol!


Sinceramente são coisas que acontecem. Uma pessoa sai da sua casinha, vai ter com a caracoleta deprimida, comem uma fartura, vão até a um bar beber um suminho (sim, bebemos suminho!) e quando está a regressar ao carro no meio da conversa ouve um "slachrg" mesmo debaixo do seu pé. Levantei o pé na esperança de ter morto uma barata, mas não! Era um amiguinho caracol colado à sola do meu sapato. Devia ser pai de filhos e com certeza que regressava a casa (não aquela que tem nas costas, mas à sua casa de família no meio da horta) depois de um dia de trabalho. Temos de entender que um dia de trabalho do caracol é sair de casa, tentar atravessar a estrada e regressar. Para o bicho é muita adrenalina. Aquele não tinha conseguido chegar a casa, porque o meu sapato número 39 estava mesmo dentro da sua casa. Pobre animal!
Aqui ficam os meus sinceros pêsames e um minuto de silêncio :-(

Férias!



Pois é, estão a terminar as férias dos portugueses (para aqueles que tiram sempre no mês de Agosto) e a começar para os outros tantos que, como eu, adoram poder ter um espaço para estender a toalha sem terem de se apresentar. "Boa tarde, sou a caracoleta que gostaria de poder estender a toalha neste cantinho daqui se o senhor tirar os seus pés!". Estas são as férias em pleno Agosto! Eu gosto mesmo de tirar férias em Setembro. Tudo muito mais calmo, as praias continuam com gente, mas com mais areia e mar. Este ano a minha condição permitiu-me estar 6 meses em casa. Isto de uma caracoleta se tornar mãe tem as suas vantagens. Pelo menos se a coisa for bem feita. Este ano época balnear em casa :-) 6 mesinhos em casa!
Durante o período balnear podemos optar por imensas coisas: desde viagens, colocar a leitura em dia, trabalhar para o bronze. Para aqueles que não são fãs de praia sempre podem optar pelo campo ou até mesmo pela neve, desde que os 00 no final da conta permitam.
Este ano, falo por nós as 3, cada uma optou por algo diferente. Nada como animar as férias e dar-lhes um toque pessoal. Mas, perguntam vocês, não é isso que se faz nas férias? É sim senhora, mas nós damos mesmo um toque hiper-pessoal nas nossas férias.
Para começar uma das caracoletas começou as férias mal. Desentendimentos amorosos. Nada pior! Tirar férias em conjunto para depois as gozar em separado. A vida tem destas coisas, infelizmente! Juntou-lhe a falta de apetite com a falta de sono. Tudo o que uma pessoa deseja nas férias: fazer dieta e aguentar o máximo de horas sem dormir! Claro que estou a ironizar a situação.
Depois a segunda caracoleta decidiu sair da bela capital com o seu amado debaixo do braço e foi até nuestros hermanos. Gozou dos seus entretenimentos, mas na hora de irem embora nada como uma declaração de amor dos policias espanhóis, que em bom português significa: uma multa! Nada a que esta caracoleta não esteja habituada. Acho que até trata por tu muitos dos policias da nossa cidade com tantas multas em seu nome.
Já eu e a restante família decidimos que havíamos de ficar pela capital, porque para mudar fraldas e dar biberões a 300km de distância ficamos por casa mesmo. Como a primeira caracoleta andava down, fomos até à sua casa de férias animar um pouco a coisa. Bem verdade seja dita que animámos até demais. O que era um simples churrasco acabou por envolver bombeiros, ambulâncias e uma varanda incendiada. Vá lá que de todo o aparato o estrago acabou por ser muito menor do que estávamos à espera. Ninguém se feriu e o incêndio não se propagou em termos de extensão e de danos maiores. Conclusão: douradas dentro de casa nunca mais! Em termos sentimentais a coisa começou a aquecer um pouco mais e quando digo aquecer é no bom sentido! Nem tudo poderia ser mau, vá lá!
Por isso caros leitores, férias connosco nunca são monótonas. Conseguimos sempre algo mais. O tal toque hiper-pessoal que dizia no inicio!
Este ano foram assim, nem quero imaginar para o ano! LOL.


P.S: Dêem-me o desconto de estar a escrever tanto, mas sinceramente há já algum tempo que me mantinha "calada".

Beijos para todos e gozem bem as férias, quem está a ir de férias :-D Os restantes tenham um bom regresso ao trabalho :-)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Máscaras...


Num outro blogue que tive falei uma vez sobre máscaras. Quantas máscaras possuímos? Quantas máscaras escondemos debaixo de outras máscaras? É impossível não se ter máscaras e eu sinto que ao longo da minha vida andei sempre com uma. A única que me era permitida e obrigada ter: a máscara dos sentimentos! Esconder ao máximo o que nos vai na alma. Por defesa, por instinto de sobrevivência, por hábito. Hoje ao fim destes anos todos já não sei viver sem essa máscara. Umas vezes grito tão alto para dentro que me sinto a ensurdecer e ao mesmo tempo é tão grande o silêncio que sai da minha boca que enlouqueço. A minha máscara tornou-se numa espécie de armadura onde nada me atinge, nada me pode tocar, nada transparece em mim. Sinto-me confortável com ela, porque criei uma zona de conforto dentro de mim mesma. Sinto-me intocável quando gostaria de ser tocada. Se tenho receio em deixá-la cair? Claro que sim! Seria o mesmo que andar nua no meio da rua. Já está tão colada a mim que se confunde com a minha própria pele. Escondo apenas o que sinto de negativo, não os sentimentos que tenho para com quem amo, para com as pessoas mais importantes para mim, para com as pessoas que eu deixo aproximarem-se de mim. Não são muitas é verdade e são tão poucas, ou quase nenhumas, aquelas que entram dentro de mim e que sabem o que escondo com um simples olhar.
Não sei porque hoje me sinto assim, ou talvez saiba e finja, mais uma vez, que não me atinge, porque, ora lá está, nada me atinge e eu sou mil vezes superior a isso. Mas a verdade é que dói e dói muito. E ao dizer isto, ao admiti-lo sinto-me muito melhor. É como se tivesse gritado, mas desta vez com o maior som que pudesse reproduzir. Gostaria de poder gritar mais vezes, mas é algo que dificilmente poderei mudar em mim. A máscara está colada a mim como se da minha própria pele se tratasse.
Obrigada por este pequeno desabafo. Obrigada por me lerem e por saber que posso contar com o vosso silêncio. Obrigada por me aceitarem nesta forma calada que tenho de viver os meus sentimentos. Obrigada por nunca me questionarem. Obrigada!

Feira da Luz



O que nós senhoras gostamos de fazer é dar um saltinho aonde há uma feira. Com o mês de Agosto a meio nada como começar a fazer publicidade à famosa Feira da Luz no largo de Carnide. Inicia-se no primeiro dia de Setembro e termina no último. Para quem anda mal de agendas: dia 1 de Setembro (terça-feira) a 30 de Setembro (quarta-feira). Quem nunca lá foi aconselho a ir porque sempre nos rimos um pouco com a venda de "tenes". Caracoletas já sabem!

É mágoa!

A quem um dia me "cedeu" esta música um desculpa por a divulgar e ao mesmo tempo um obrigada por ma ter mostrado. Mostro-a porque sei que não se trata dela, mas de outra pessoa com exactamente o mesmo sentimento. Carol, esta é para ti :-)



http://www.youtube.com/watch?v=zEnfBVMLx1o&feature=related

A crise dos 5 anos

Quando finalmente decidimos que está na altura de iniciarmos uma relação a dois, o nosso primeiro objectivo são os 3 meses. Parece que é a partir desta data que começa a surgir a primeira troca de argumentos talvez a maioria das vezes sem grande razão aparente mas é novidade! Não existe qualquer explicação filosófica contudo os afortunados que conseguem ultrapassar tal façanha terão uma vida descansada por mais 2 anos e 9 meses mais precisamente. Uma relação com 3 anos é já considerada uma relação sólida, em que cada uma das partes perde a individualidade. Já não sou só eu ou o meu namorado, o “ou” passa a ser substituído pelo “e” e de repente a qualquer lugar que nós vamos as pessoas perguntam sempre pela nossa cara-metade. É aqui que começam os primeiros comentários sobre casamento, filhos, sobre vida a dois… Acho que isso acaba por assustar muitos casais então em muitas relações há sempre um que se sente mais assustado e começa a equacionar todas as palavras e comentários que lhe vão dizendo. Pensamentos como “Será que é a pessoa certa para eu me casar”, “Daria ela/ele uma boa mãe/pai para os meus filhos”, “Eu, ter filhos!?!?”, “Então mas eu gosto tanto da minha vida como está porque é que tenho de mudar? Será que o meu namorado/namorada quer mudar e eu não sei?” etc., etc. Muitos não resistem ao stress e acabam por terminar a relação talvez por não conseguirem resolver todas estas questões ou então por pela primeira vez terem pensado nelas e descobrirem finalmente a resposta.
Após estas tempestades dos 3 vem a bonança :) Entramos em época de prosperidade e tranquilidade, onde conseguimos chegar a um ponto de equilíbrio nas nossas divergências, onde apesar de perdermos um pouco a nossa individualidade somos nós próprios e temos consciência disso, e onde o futuro não nos assusta pois sabemos que mais tarde ou mais cedo o que nós queremos é o que a pessoa que está ao nosso lado quer, é tudo uma questão de tempo…
Contudo, e muito recentemente acabo de descobrir uma nova crise, a dos 5 anos. O castelo de sonhos que fomos construindo ao longo dos 5 anos é devastado por uma onda gigante sem que possamos compreender porque é que num dia tão calmo ela chegou. É então que descobrimos a crise dos 5 sentimentos! Um pouco inexplicável mas consegue-se sentir 5 coisas diferentes em cada dia: amor, tristeza, saudade, depressão, raiva. Ficamos sem saber o que fazer da vida, o nosso coração palpita de forma arritmada, sentimo-nos enganados, traídos, só queremos deixar-nos levar e desaparecer pois não conseguimos perceber o sentido dos últimos 5 anos se no final tudo vai desaparece. Infelizmente ainda não sei se depois da onda passar ainda há castelo ou se já só restam ínfimos grãos de areia mas tenho a certeza que para algumas relações aquela onda apenas ajudou a encher a piscina :) basta amar!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Kit de Rompimento


Quando as relações tendem a começar a não funcionar, seja por uma discussão de coisas acumuladas ou por se começar a pensar se será mesmo a pessoa que nós queríamos ou mesmo pela própria rotura, nós mulheres reagimos sempre de modo completamente diferente do homem. Nós somos muito mais dramáticas. Uma simples choradeira não é suficiente. Não! Nós mulheres gostamos de ter o kit todo à mão para quando essas situações nos atingem. O kit depende muito da estação. Neste momento estamos no verão e agora iríamos ter: a mulher chega ao sofá, coloca o pacote de lenços na mesa de apoio ou no braço do sofá, depois vai ao quarto e traz tudo aquilo que seja possível de trazer para a sala. Entenda-se: os pequenos presentes oferecidos por ele, os postais em que ele jurava amor eterno, álbuns de fotografias onde aparecem ambos a sorrir atrás de uma palmeira, à beira-mar, a ver o pôr-do-sol. Se isto tudo ainda não chegar então vão buscar o MP3 com as músicas que ouviam os dois juntos. Para colocar a cereja no cimo do bolo há que ir buscar o balde de gelado de 5kg e uma colher.
Escolhido o kit de verão a mulher ajeita-se o melhor que pode (note-se que é sempre com as pernas dobradas, mesmo que o sofá tenha 10 lugares), depois coloca o balde a jeito com a colher lá espetada, verifica sempre aonde está o pacote de lenços e começa o rol de leitura com os postais, depois se ainda não tiver chorado o suficiente agarra-se às fotografias e pensa nos tempos idos de felicidade. Se com isto tudo ainda não sofreu o suficiente coloca os phones nos ouvidos e lá vai a selecção de musicas. Aí sim atingiu o seu auge de tristeza, mas depois da tristeza segue-se a raiva. Atira com o MP3 para um canto, agarra nos álbuns e pensa duas vezes em os desfazer e em fazer uma fogueira no meio da sala com os postais e os presentes. Dado o auge de raiva, senta-se no chão agarrada a tudo e a pensar no quanto ainda o ama, em como é infeliz sem ele, em que não irá conseguir viver mais.
Para o inverno o kit é baseado nos mesmos utensílios de dor e sadismo, mas o gelado é substituído por uma caneca de chá ou chocolate quente e não poderá faltar a manta de lã. Ao fim de dois meses de pura dor interna e sadismo a mulher refaz a sua vida e encontra de novo o amor, ou então quer é desforrar-se por ter estado aquele tempo todo sem sair de casa.
O homem pura e simplesmente telefona ao seu melhor amigo que combina com o grupo do costume e vão todos beber um copo. Apanha uma bebedeira e está feito o seu luto.
Às vezes um pouco menos de emotividade da nossa parte seria bem melhor e tudo se resolveria num mero piscar de olhos. Claro que aquilo que aqui deixei escrito não se aplica a todas as mulheres e nem a todos os homens.
Para se evitarem estas situações o melhor mesmo é ser-se o mais honesto possível e fazer uma coisa que pode parecer o mais simples possível, mas que custa e ninguém, ou muito pouca gente o consegue fazer que é: aceitarem-se com todos os seus defeitos! Experimentem e vejam se não é melhor, difícil, mas muito melhor :-)